Qualidade vs Quantidade – PARTE 3

FOTOS:
RODRIGO VIEIRA (Ônibus Brasil)

Fala povo, beleza?

2015 chegou com algumas mudanças… ESTÉTICAS no Transporte Coletivo de SSA e, claro, com o aumento da passagem de R$ 2,80 pra R$ 3,00.

Hoje nem vou entrar nesse assunto tarifário, pois já discutimos esse ciclo vicioso aqui.

A começar, pela nova frota dos 3 consórcios: Salvador Norte, Ótima e Plataforma. Que vocês já devem ter visto em n blogs/sites/mídias e na rua por ai. Chega a ser tragicômico ler as notícias com as palavras… aham… “NOVO SISTEMA DE ÔNIBUS”.

Também existem coisas promissoras muito boas, como a integração praticamente total da frota com o sistema GPS aliado aos aplicativos SIU e Cittamobi, que permitem você saber em tempo real onde estão os ônibus das linhas que você utiliza. Essa inovação realmente é muito útil e uma melhoria indispensável.

E, por incrível que pareça, coincidência ou não, algumas coisas que comentei aqui nos posts anteriores FORAM FEITAS. Por exemplo: Os novos ônibus têm pelo menos 40 assentos. O que é uma excelente novidade. Sinal de que a Prefeitura está mais no pé das empresas em relação a configuração interna dos veículos.

Meu foco nessa 3ª postagem da série Qualidade vs Quantidade (se você não lembra, reveja os 2 anteriores, aqui e aqui) é chamar atenção para algo bem simples:

O PRINCIPAL PROBLEMA NÃO É A IDADE DA FROTA.

Para economizar palavras e ilustrar:

FOTOS: RODRIGO VIEIRA
FOTOS: RODRIGO VIEIRA


Se lembram, quando escrevi aqui algo como “Até onde renovar a frota demonstra qualidade em serviço?” Não? Pois é. Na época eu enfatizei a questão conforto. Hoje quero observar que o problema não é exatamente se ônibus é novo ou velho. Até porquê, a empresa de ônibus que sabe cuidar de sua frota, vai manter o veículo conservado seja ele novo ou velho.


A questão é que o SISTEMA CONTINUA EXATAMENTE O MESMO, com as MESMAS linhas, com os MESMOS problemas de 20 anos atrás.

Sim, existem prazos para estudos, de mudanças no sistema, e nada acontece de um mês para outro, mas tudo isso é protelado para o futuro. Ao invés de manter o foco AGORA em mudanças gradativas que possam melhorar o uso do transporte coletivo, o que mais importa aparentemente é a.. “aparência”.

Só que o povo não tá mais aceitando a conversa do ônibus novo como melhoria do transporte. O povo quer chegar mais rápido em casa. Quer passar menos tempo parado no trânsito. Quer ter ônibus confortável para se locomover e esse não parece ser o foco agora.

Sem entrar no assunto das grandes mudanças, como Terminais de Transbordo, ou a revisão de todas as linhas, uma pergunta retórica:

Há quantos anos existe a Avenida Luis Eduardo Magalhães?

Não lembro, mas ela deve ter sido criada em 2001/2002.

Tá mas, e dai?

E dai que… Sabe quantas linhas passam por lá? “Oficialmente?” Duas. A 1055 – Estação Mussurunga x Ribeira e a 1232 – Nova Sussuarana x São Joaquim. Existem variações de algumas linhas como a 0422 (Pero Vaz x Itaigara) e 0345 (Boa Vista de São Caetano x Pituba) que eventualmente passam lá. 0410-01 (Sieiro x Aeroporto), teoricamente existe e quase nunca passa.

A Luis Eduardo é comumente usada para ligar a Paralela com San Martin/Retiro e, atualmente, a BR-324, assim como a Via Expressa. Essa via poderia ser utilizada em MUITAS conexões RÁPIDAS nos horários de pico, especialmente nas linhas com destino a Pituba.

Mas não. 99,9999% das linhas, continuam fazendo o retorno no viaduto, com sentido a Madereira Brotas e Rodoviária, pegando mais 20, 30, as vezes 40 minutos de congestionamento na sua lotação máxima no horário de pico. Esse tempo é perdido, improdutivo e só serve para irritar mais ainda o passageiro.

“Ah mas.. vai deixar de ter linha pra Rodoviária então?”

Não amigo. Não vai. Mas o problema é que a linha que te leva à Avenida Paulo VI é a mesma que você usa para o Itaigara, Salvador Shopping, Avenida Tancredo Neves e Rodoviária. Vários fortes pontos de demanda compactados em um único trajeto. Tem como dividir para otimizar isso não?

Esse é só um pequeno exemplo de que o problema do Transporte Coletivo vai além do Trânsito. Engarrafamento toda metrópole hoje tem. Mas existem formas de contornar, de aprimorar, de redirecionar para evitar o maior transtorno possível. O que hoje não é feito aqui.

Além disso, o sistema das linhas circulares bairro x bairro, acrescenta sua parte para tornar Salvador no 2º maior tempo de espera por ônibus no país.

Já escrevi sobre isso aqui: As linhas têm apenas um terminal. Saem da origem, vão para o destino e voltam para origem. E são bem longas. Logo, se você está no Itaigara, esperando um ônibus com destino à Plataforma, por exemplo, o seu ônibus não inicia viagem na “Pituba” (que é o destino da linha Plataforma x Pituba). Ele vem de.. PLATAFORMA. Ele sai do bairro de origem, faz um percurso de quase 2 horas para passar no Itaigara VOLTANDO para Plataforma. Soma isso com trânsito carregado. Com atrasos. Qualquer coisa que bloqueie o trânsito, ferrou tudo.

Não sou muito a favor de paliativos, mas HOJE JÁ DAVA muito bem para mexerem no sistema, testando opções de roteiros mais rápidos e vendo a eficácia destas linhas para com o público. Dava para criar linhas expressas (para só na origem e destino) e semi-expressas (parando em pontos específicos). Dava para dividir certas linhas em pelo menos 2 terminais e iniciar viagens em pontos estratégicos de maior demanda nos horários de pico.

Essas ações, por mais que não sejam definitivas, poderiam ser um alívio para quem depende diretamente do Transporte Coletivo enquanto um grande plano/projeto/estudo não é posto em prática para resolver (ou amenizar) estes problemas.

Por hoje é só pessoal.

Abraço e até a próxima!

Se você tem algo a acrescentar, divergir, comentar, criticar, fica a vontade nos comentários!!

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Idealizador do Portal Transporte em Debate-Bahia, meio doido, fanático por Transporte Urbano, e estudante nas horas vagas...

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Um comentário em “Qualidade vs Quantidade – PARTE 3

  • 10 de fevereiro de 2015 em 21:02
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    1243 também passa na Luis Eduardo, rs

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