Qualidade versus Quantidade – Parte 2

Fala pessoal, beleza?

A partir desta publicação, vou usar as Análises divididas em duas partes: A Primeira página, será sempre uma crítica/crônica argumentativa sobre uma situação-problema envolvendo Transporte e a Segunda página, uma sugestão – para quem estiver a vontade em ler – de “solução” para o problema apontado. OK?

Este post segue esse aqui > Veículos Urbanos SSA: Quantidade x Qualidade que é uma critica sobre a forma que é conduzida as renovações de Ônibus Urbanos em Salvador, frisando a quantidade delas e não tanto a qualidade delas.

Observação pertinente: Muita coisa escrita aqui tem como base a minha opinião como passageiro do Transporte Coletivo de Salvador. Certas informações descritas abaixo, batem com o que vejo sobre o assunto em questão. Não tenho posição de nenhum órgão de Transporte sobre tais assuntos postados aqui.

– O TRUNFO DA ACESSIBILIDADE

Vamos entrar num assunto que divide opiniões no quesito renovações no país todo: Acessibilidade.

FONTE: GOOGLE IMAGES / ACESSIBILIDADE TOTAL

O Decreto 5.296/2004, da Lei FEDERAL 10.098/2000 determina que TODOS OS ÔNIBUS USADOS NO TRANSPORTE URBANO E RODOVIÁRIO, devem ter meios de acessibilidade para Portadores de Deficiência Física e dá providências de outras coisas como: Quantidade mínima de acentos reservados preferencialmente para Gestantes, idosos e cegos acompanhados de cão-guia.

O prazo para que os veículos do país entrem em conformidade com esta lei é até 02 de Dezembro de 2014.

Quem quiser mais detalhes sobre isso, clica aqui, e aqui.

Isto, sem dúvidas, é uma conquista inestimável para mobilidade urbana dando mais sentido ao significado da palavra Ônibus (veículo para todos) e tornando o transporte em si mais igual pra quem mais precisa. E entra no assunto QUALIDADE também, o direito de ir e vir para pessoas portadoras de deficiência que já é muito limitado, ganha finalmente uma posição concreta e muito justa no Transporte – que deveria ter desde sempre. Perfeito.

Mas ai, preciso entrar num ponto de vista um tanto delicado:

– FOI DEFINIDO A FORMA DE ACESSIBILIDADE PELAS PREFEITURAS ?

Você pode perguntar… “Como assim se “foi definido”? A Lei num tá dizendo que os ônibus tem que vir adaptados?”

Sim, a lei define que tem que vir, não define como. Para isso, temos as normas da ABNT que determinam diretrizes obrigatórias (as NBR’s) para o Transporte Urbano. No nosso caso, as NBR’s 15646 e 15570 que demonstram como os ônibus podem receber tais adaptações.

“Mas o que as prefeituras tem a ver com isso?”

Bom, as prefeituras podem – ou ao menos deveriam poder – através das Secretarias de Transporte, deixar claro a forma que os Ônibus são configurados interna e externamente. E isso não tem ficado muito claro em alguns lugares, como por exemplo, Salvador.

Na cidade, as empresas de Ônibus urbano começaram efetivamente a renovar suas frotas em 100% com veículos adaptados pra Deficiente nos idos de 2007. Calma. Não falei que não existiam Ônibus Adaptados antes disso, falei que as remessas PASSARAM a ser 100% adaptadas DEPOIS disso.

Antes, a empresa xyz renovava com, vamos supor, 20 veículos e destes 20, tinham ali 3 ou 4 que vinham com Elevador pra Deficiente e de uma a 3 vagas. A partir de 2007, a Viação Senhor do Bonfim (Barramar), já trazia pequenas remessas inteiras com os Ônibus já adaptados para Deficiente. Em 2008 foi a vez da Expresso Vitória fazer isso. Teve empresa que só começou a trazer frota nova 100% adaptada em 2010, mas aos poucos, isso foi acontecendo com todo mundo.

E por conta disso, cada empresa definiu um “padrão” de configuração interna dos ônibus – sendo isso determinado E/OU autorizado pela Prefeitura (tenho pra mim que ela só AUTORIZA, mas não DETERMINA COMO deve ser essa configuração interna).

Boa parte das empresas vem ainda com apenas 1 vaga para Deficiente Fìsico, acompanhado de um acento para Deficiente Visual com cão-guia. São elas: Grupo Gevan (Axé, Boa Viagem, Praia Grande, União, Joevanza), São Cristóvão, Modelo, Barramar (até 2012), Transol* (Depois de 2008), Verdemar, Vitral, BTU e Rio Vermelho.

Outras, trazem os ônibus com Duas Vagas e Dois acentos pra cego com cão-guia. São elas: Expresso Vitória, Transol* (Antes de 2008), Central e Ondina (até 2009), Capital e Tropical(até 2011).

E… há algumas que trouxeram recentemente com 3 vagas para cadeirante e 3 acentos para cego com cão-guia. São elas: Capital, Central, Ondina e Barramar.

Então como vocês viram, não parece haver um “padrão” fincado pela Secretaria de Transportes no que diz respeito a esse assunto, o que me leva a um outro tópico que é um velho ditado…

– “O SEU DIREITO TERMINA QUANDO O MEU COMEÇA”

O cadeirante deve ter o direito a gratuidade e espaço dentro do Ônibus, assim como eu (passageiro) tenho direito de ir (quando possível) sentado na cadeira do mesmo. Nem um a mais, nenhum a menos. Ponto.

Acontece que, quando você chega num ponto de ônibus lotado. Vão ter ali 20 pessoas. Nem todas vão ter alguma deficiência física. O que é margem pra dar mais espaço aos assentos dentro dos veículos. É uma questão de proporção mesmo.

Mas ai vai a pergunta:

“SE TODOS OS ÔNIBUS VIRÃO ADAPTADOS PARA DEFICIENTE, PORQUÊ ENTÃO TER 3 VAGAS EM TODOS OS VEÍCULOS DE UMA REMESSA?”

Saímos de um extremo (Acessibilidade 0), para o outro extremo (acessibilidade total). EU NÃO ESTOU QUESTIONANDO o DIREITO a vaga. Veja a foto que escolhi no início da postagem, inclusive, mas sério? 3 Vagas?

O raciocínio que concluí é o seguinte:

Cada box, ou Vaga, leva ai o espaço de 4 assentos (2 duplos). Então ali teriam 4 pessoas sentadas.

Acontece que, no espaço da vaga – quando não há cadeirante – cabe de 6 a 8 pessoas em pé num ônibus lotado. Isso eu sendo bonzinho. Se o ônibus vier com 3 vagas, ele tá levando ai 4 x 3 = 12 assentos. Se você levar em conta o que falei (6 a 8 pessoas em pé no lugar da vaga vazia), temos que no espaço onde teriam 12 pessoas sentadas, esse número pode subir para 24 pessoas em pé (8 x 3 vagas) num caso “extremo”. Ou seja, dá pra DOBRAR a capacidade de pessoas transportadas naquele espaço de 12 assentos, apenas retirando as cadeiras e colocando os box’s das vagas.

Entendeu, marromenos?!

Ou seja, dá pra se concluir a possibilidade de empresas “pongando nessa de acessibilidade” pra aumentar a capacidade dos veículos naturalmente. Faz as continhas ai. No lugar que levava 12 dá pra levar 24 agora. E ai? 12 pessoas a mais numa remessa de 20 ônibus, dá quanto? 240? Pegou essa idéia?

E se pra melhorar, o ônibus ainda viesse SEM os bancos duplos do lado direito? Deixando apenas “um banco único” na janela? Quanto é que dá pra levar a mais?

O problema é que as linhas de ônibus por aqui, já trabalham com veículos transportando gente ACIMA da capacidade permitida e ideal. As empresas LUCRAM com esse a mais transportado e estão trazendo veículos com MENOS assentos ainda pra ter mais espaço e ganhar em cima dessa “super capacidade”.

FOTO: WESLEY DIAZFOTO: WESLEY DIAZ

Dança das cadeiras. Encontre a sua NÃO-RESERVADA em 5 segundos. 1, 2, 3 VALENDOOOOOOOOO!

Resumindo? Um ônibus atualmente, com 13,2 m de comprimento e uma vaga, na configuração de Salvador (3 portas), tem de 39 a 41 lugares sentados. Mas tem empresa por ai, trazendo eles com 3 vagas e 28 a 32 assentos. Isso – tenha em mente – que está incluso os acentos RESERVADOS preferencialmente. Existem MICROS que levam 25 pessoas sentadas COM ELEVADOR E uma vaga para Deficiente. Duvida? Toma ai:

FOTO: WESLEY DIAZ
FOTO: WESLEY DIAZ

5 Metros menor, e quase a mesma quantidade de assentos que um 13,2 m. É justo isso?

Então pense ai? Certas linhas é uma GUERRA pra conseguir encontrar uma… cadeira.. pra sentar. Não falo nem a questão de ir confortável nesta cadeira, mas dela simplesmente EXISTIR, porquê hoje em dia.. em algumas empresas, simplesmente NÃO TEM. E ai? E o direito da pessoa viajar com o mínimo de conforto possível?

E vamo dando nome aos bois? Quem fez isso aqui nas últimas renovações foram: ONDINA, CENTRAL, CAPITAL e BARRAMAR. Pronto. Taí entregado.

– UM CONTRAPONTO ARGUMENTADO

Há quem diga, que os ônibus nessa configuração já apelidada de “vagão”, melhora a movimentação dos passageiros dentro dos ônibus, facilitando a passagem dos mesmos, se, ao retirar as cadeiras, não terá nenhuma “barreira” pra quem tá em pé dar passagem a quem quer trafegar no veículo.

Eu discordo com base no que postei acima mencionando supercapacidade. Ônibus lotado é uma coisa. Ônibus entupido é outra. Ônibus com gente sendo esmagada pelas portas, vidros, balaústres e janelas é outra coisa. Muitas linhas em Salvador estão no último estado citado. E neste caso amigo, quanto mais espaço tiver, mais gente vai ter ocupando esse espaço. No lugar daquelas 3 cadeiras no corredor do “curral” no fundo, agora vai ter 5 a 10 pessoas em pé em cada lado, atrapalhando você passar da MESMA forma num ônibus lotado!

A questão é oferecer um mínimo de dignidade possível a quem já paga caro e tenta se dar o luxo mínimo de ir sentado numa cadeira enquanto viaja 2, 3, 4 horas num Ônibus! Nada demais! Nada do que as pessoas já tinham nos Ônibus antigos! Apenas tem que ser definida uma forma mais justa de não se prejudicar um em benefício do outro, pois no fim das contas, quem tá botando mais – e MUITO mais – no bolso por essas medidas, são as empresas mesmo, uma vez que (fechando agora o assunto da postagem), a prefeitura APARENTEMENTE NÃO DETERMINA DE QUE FORMA SERÁ A CONFIGURAÇÃO INTERNA dos Ônibus.

OK, empresa, quer botar 3 vagas? Beleza, mas o Ônibus tem que ter no mínimo 40 lugares atendendo as normas da ABNT pra esse tipo de linha. Ai dê seus pulos amigo, compre articulado, compre ônibus trucado (6×2), se vire, mas tem que ser garantido o direito que as pessoas já tinham que era de ir sentado QUANDO possível!

Pra vocês terem uma idéia da perca de assentos aqui em Salvador

vagasmedia

Daria pra fazer a conta… 53-39 e concluir: Perdemos 14 assentos. 14 assentos cabe num micro ônibus. Mas ai há o porém da cadeira há 10 anos atrás, não estar sujeita a distância confortável para se sentar, como acontece hoje em dia, graças a NBR 15570.

Enfim pessoal, essas são as minhas considerações criticas sobre este assunto. Acho que a prefeitura deve determinar e coibir excessos para evitar que a pessoa perca o direito de ir sentada e também evitar que o deficiente físico não tenha seu espaço no ônibus. Dá pra chegar no meio termo, opções pra isso não faltam e é por isso que eu continuo essa postagem na SEGUNDA página demonstrando algumas coisas que pensei em sugerir para resolver ou amenizar este problema!

Acompanhem!

PRÓXIMA PÁGINA!

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Idealizador do Portal Transporte em Debate-Bahia, meio doido, fanático por Transporte Urbano, e estudante nas horas vagas...

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2 comentários em “Qualidade versus Quantidade – Parte 2

  • 6 de junho de 2013 em 20:56
    Permalink

    Um ônibus com 28 a 30 lugares é algo absurdo mesmo, a Coottasf tem seis micros modelo Volare w12 que pegam 30 passageiros sentados e ainda tem vaga para cadeirante e cão guia. desse jeito as empresas vão fazer o quê com os ônibus, deixar só os lugares preferenciais (e olhe lá!) e botar todo mundo para ir em pé? Teremos os “paus-de-arara” de volta, e nem me assustarei se um dia encontrar um ônibus movido a botijão de gás…

    Parabéns, Transporte em Debate, pela reportagem, sucesso para vocês

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