Análise TED: Feira de Santana!

– O SISTEMA DE FEIRA

1 – RODOVIÁRIA

Feira de Santana tem a sua Rodoviária próxima ao Centro da Cidade, na Avenida Presidente Dutra, como mostra a imagem abaixo:

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Entrada da Rodoviária – Google Street Viewer

Veja que, realmente tem uma posição de “Passagem”. Mas possui linhas com origem em Feira para outros municípios depois dela também.

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Vista da Rodoviária – Saída

2 – O SISTEMA SIT

Nos idos de 2003/04, fizeram um Sistema de Transporte Integrado (SIT de Feira) montado com Terminais de Transbordo (Você chega lá de ônibus e pega outro de graça).

O projeto original contava com 5 Estações, das quais hoje só existem 3: Terminal Central, Terminal Norte e Terminal Sul. As duas outras foram projetadas, porém não construídas até o momento, seriam os Terminais Leste e Oeste.

Feira de Santana é geograficamente bem plana e seus limites (Norte/Sul/Leste/Oeste) são bem definidos o que permitiu esse tipo de uso dos Terminais. A gestão de 2001 a 2008 modificou e implantou esse sistema com “base” em Curitiba. Junto com os Terminais, foi também implantada a Bilhetagem Eletrônica nas linhas para reduzir a circulação de dinheiro nos ônibus.

Antes disso, as linhas tinham perfil parecido com o de Salvador (Linhas com um Terminal e percurso circular – Vai no Destino e volta pro fim de linha). Na implantação, padronizaram a pintura das duas empresas que operam o sistema até hoje (18 de Setembro e Viação Princesinha do Sertão), de acordo com o tipo de linha do sistema:

VERDE = LINHAS INTERTERMINAIS

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AUTOR: RODRIGO VIEIRA

 

VERMELHA = LINHAS ALIMENTADORAS (Bairro/Terminal)

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AUTOR: RODRIGO VIEIRA

 

AZUL = INTERBAIRRO (Bairro a Bairro sem entrar em Terminais).

Com o passar do tempo, as linhas de cor Azul foram convergidas para o Terminal Central e deixaram de existir. ATUALMENTE, a gestão resolveu padronizar tudo com uma pintura só, sem fazer esta separação. Os ônibus agora tem essa identidade abaixo independente do tipo de linha.

B520 – 18 DE SETEMBRO

Junto com a criação dos Terminais, uma Licitação foi realizada (as empresas operavam sob permissão) e a cidade foi dividida em 3 lotes de linhas: A, B e C. Na época da Licitação, ganharam as empresas Praça 12 (lotes A e C) e Santíssimo (Lote B). Operaram por aproximadamente 3 anos (até 2008), quando a Praça 12 deixou o sistema (venda) e/ou foi “transformada” em Viação Princesinha do Sertão operando os lotes A e C. Já a Santíssimo se dividiu (ou foi vendida) com a inclusão da 18 de Setembro.

Durante algum tempo, essas 3 empresas operaram (Viação Princesinha – com as linhas da anterior Praça 12 nos lotes A e C, Santissimo e 18 de Setembro – no lote B). Em 2008, a Santissimo deixou o sistema, restando a Princesinha e a 18 de Setembro que operam até hoje.

O número de ordem dos ônibus é A000, B000 e C000. Não há um critério específico para os números de ordem e inclusive há exceções como A1000, que são os números dos Articulados da linha UEFS DIRETA.

3 – PERFIL DAS LINHAS

Ao visitar a cidade durante um Sábado, fiz um passeio com algumas linhas Interterminal e notei algo bem “incomum”: A viagem durava em torno de 15 a 25 min em cada linha. Claro, frisando ser um final de semana. Mas é interessante que o sistema foi construído com linhas “curtas” com esse tempo de viagem entre cada terminal.

Utilizei lá as linhas UEFS Direta (articulado – Liga a Universidade Estadual de Feira de Santana ao Terminal Central), Pampalona / CIS (Liga o Terminal Central ao Terminal Sul), usei também a 02 Cidade Nova / CIS-Tomba (Liga o Terminal Sul ao Norte via Av.João Durval) e por último a linha 01 – Cidade Nova x CIS / Tomba (Liga o Terminal Norte ao Terminal Sul via Terminal Central).

A Pampalona / CIS tem origem no bairro, tem ponto de passagem no Terminal Central e vai pro Terminal Sul (que fica na entrada no conjunto conhecido por nome TOMBA). Ou seja: Ela é uma linha TRONCAL, INTERTERMINAL E INTERBAIRRO. O interessante que pude observar é que a linha faz um “horário” ao chegar no Terminal Sul. Fica uns 10-15 minutos lá e faz a viagem de volta. Se o passageiro quiser, ele pode ficar abordo do ônibus durante este período (ele fica no ponto parado) pra prosseguir sua viagem.

Boa parte das linhas convergem para o Terminal Central tornando o mesmo ponto de passagem de muitos passageiros. Tem gente inclusive que nem tem como destino o Terminal Central, mas acaba passando por lá para fazer integração para outro Bairro/Terminal que é o real destino.

4 – O SUBSISTEMA ALIMENTADOR GRATUITO

Como mencionei, antes do SIT, as linhas saiam diretamente dos Bairros pro Destino (Seja ele o Centro ou outro bairro), com apenas uma parada (a origem da linha). Assim como é hoje em Salvador (tirando as linhas das Estações de Pirajá e Mussurunga).

Com a implantação do SIT, alguns bairros passaram a ter apenas linhas circulares pro Terminal mais próximo, operando GRATUITAMENTE. Bom né?

Então… Só que.. As linhas são operadas com..KOMBIS. Isso mesmo. Esse subsistema é operado por uma Cooperativa, que faz esse percurso entre alguns bairros para os Terminais de forma gratuita. Saca só:

NO TERMINAL SUL, DO LADO DA FEIRINHA.

Em alguns casos, a demanda absurda de certos bairros forçou a prefeitura a tirar a Kombi e colocar ônibus convencional alimentador ligando eles ao Terminal. Obviamente ai, a gratuidade deixa de existir e a pessoa paga pra pegar o ônibus e saltar no Terminal.

A grande problemática é que esse subsistema DEVERIA ser mantido/pago pela Prefeitura às Cooperativas.. O que muitas vezes não aconteceo que dá margem pra mangueação total do serviço. Há Kombis que param nos pontos quando querem e quando vão com a sua cara. Lembrando que uma Kombi tem 12 lugares, sendo que 1 deles é do motorista..

5 – O SUBSISTEMA ALTERNATIVO

Além disso, há também algumas linhas operadas com VANS que ligam os Bairros/Distritos ao CENTRO. Esse subsistema é integrado com a Bilhetagem eletrônica permitindo inclusive a meia passagem aos Domingos (como as demais linhas do sistema). A mesma cooperativa (COOPETRAFS) que opera as Kombis gratuitas, também roda neste. A diferença é que há entrada de receita pelo passageiro (já que o outro eles ficam dependendo que o SINCOL – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Feira de Santana repasse um valor pra eles).

Esses roteiros não incluem os Terminais (logo não são integrados). Servem apenas para conectar os bairros ao centro da cidade de forma circular.

6  – O SUB-SUBSISTEMA NÃO INTEGRADO – LIGAÇÕES RURAIS

Feira de Santana também tem localidades afastadas do ambiente urbano que NÃO ESTÃO integradas ao SIT. A Prefeitura simplesmente não incluiu essas localidades dentro do Sistema de forma nenhuma. Nem por Kombi gratuita, nem linha alimentadora, nem nada. Muitas delas de origem Rural mesmo. Estrada de terra com várias propriedades ao redor, roças e por ai vai.

E pra esse caso, as organizações/associações de moradores de cada localidade, entraram em contato com algumas pessoas e/ou empresas que pudessem fornecer esse serviço – antes de forma clandestina, hoje autorizado pela prefeitura –  margeando o sistema.

AUTOR: MARCIO PIMENTEL
AUTOR: MARCIO PIMENTEL

 

Então basicamente, existem linhas, com o mesmo valor da passagem dentro de Feira (R$ 2,50), urbanas, servidas por conglomerados de pessoas/empresas que trazem os passageiros destas localidades para o Centro de Abastecimento (do lado do Terminal Central).

Para essas localidades, SÓ EXISTE ESSA OPÇÃO de conexão com a “cidade” propriamente dita. Tem algumas linhas que, por exemplo, só operam na SEGUNDA-FEIRA (que é dia da Feira no Centro de Abastecimento)..

Claro que, a Frota dessas linhas é bem antiga pois normalmente são ônibus usados comprados de outras cidades que já operaram 10, 12 anos antes de parar onde estão..

7 – A FROTA DE ÔNIBUS

Um dos problemas bem sérios do Transporte de Feira é a conservação dos veículos. A idade da frota também é bem variável, já que as duas empresas costumavam “renovar” trazendo veículos usados de outros estados (principalmente Rio de Janeiro).

Mesmo alguns veículos consideravelmente novos (ano 2011), já apresentam sinais de má conservação.. Tem de tudo por lá.. desde cadeira quebrada até janela… porta.. balaústre e por ai vai. É bom você levar seu Extintor de incêndio também ao pegar alguns ônibus, pois há alguns meses, vários pegaram fogo..

Ano passado, a Prefeitura começou a “forçar” essas renovações de Frota de forma mais intensa. Saíram várias notícias de renovações de frota que aconteceram, em partes.

Uma coisa boa foi a volta do uso de ônibus Articulados para linhas de Alta demanda como a UEFS Direta e a CIS-Tomba x Cidade Nova (Via Terminal Central). Estes articulados, não são novos, mas estão bem conservados até agora.. Eles vieram em grande parte de Curitiba. E tem vários modelos, todos sobre o chassi Volvo B10M. Vários possuem câmbio automático, como esse aqui:

LINHA: UEFS X DIRETA – NO TERMINAL CENTRAL

Não sei a quantidade exata, mas são entre 10 a 15 veículos operando nas linhas Troncais da cidade.

Ano passado, foi anunciado que Feira teria um sistema BRT.. e este mês, precisamente no dia 12/06, a Prefeitura anunciou o investimento de 90 milhões neste novo sistema, além de outras intervenções viárias, com uma previsão de 30 a 40 meses pra conclusão deste novo projeto, junto com as duas estações que faltam do SIT (Leste e Oeste).

Vamos ver o que dá isso.

8 – CONCLUSÃO

Então pessoal…
O sistema de Transporte de Feira me pareceu bem planejado e executado inicialmente, mas desandou com o passar do tempo e possui problemas bem sérios como estes das Kombis sendo utilizadas em bairros no lugar de Micros ou ônibus convencionais, fora a conservação da frota em si do sistema e o tempo de espera de muitas linhas.

Mas em compensação, os R$ 2,50 lá, realmente são R$ 2,50, porquê o Transporte é integrado, bom ou mal, mas te faz chegar em boa parte da cidade com uma passagem apenas. Diferente da capital do Estado, onde os R$ 2,80 custam R$ 5,60 ou 8,40 pela deficiência que o sistema tem de atender suas demandas de forma integrada.

Fora isso, Feira que deve ter por volta de 600 mil habitantes, tá vários passos a frente (em planejamento) do que Salvador, por esse foco no Transporte integrado, coisa que, até hoje, não vimos aqui.

O que vocês acharam dessa análise? Gostaram? Algo a acrescentar? Algo a contestar? Mande sua opinião nos comentários, via e-mail, ou participe do nosso FÓRUM sobre este assunto! Até a próxima!

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Idealizador do Portal Transporte em Debate-Bahia, meio doido, fanático por Transporte Urbano, e estudante nas horas vagas...

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Idealizador do Portal Transporte em Debate-Bahia, meio doido, fanático por Transporte Urbano, e estudante nas horas vagas...

4 comentários em “Análise TED: Feira de Santana!

  • 25 de junho de 2013 em 8:13
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    Ótima análise, Eduardo! Parabéns!

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  • 5 de agosto de 2013 em 21:53
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    Rpz, com certeza estive em FSA e notei uma grande diferença da capital. Feira tem avenidas largas, por ser mais nova que SSa. é bem mais planejada. Possui o SIT que aqui nunca teve e agora o BRT, com certeza que a cidade está mais avançada que SSA nesse quisito. Em questão dos ônibus serem a maioria velho não quer dizer nada, pois Curitiba até pouco tempo atrás tinha Ln, Torino GV, GLS BUS e um monte de velharia rodando e nem por isso deixou de ser copiada por várias cidades do mundo. De que adianta SSA ter uma frota nova se não tem um serviço de qualidade. Em Fsa não é diferente, em qualquer coisa nada é 100% e não seria FSA ser a privilegiada nessa parte. De quaquer forma parabenizo a cidade e gostei demais do sistema de transporte de lá.

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  • 5 de agosto de 2013 em 22:19
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    “Vamos ver o que da isso” Acho que vc num tá confiante q FSA terá o BRT né rsrs. Pois saiba que esse mesmo prefeito q anunciou o BRT, é o mesmo que implantou o SIT na cidade, no qual mecheu com toda a estrutura do transporte, milhões foram investidos na época. José Ronaldo teve mais de 1 milhão de votos na ultima eleição p/ senador e p/ ele ganhar masi prestigio terá que fazer uma grande obra como é o caso do BRT, que neste mês, dia 26/08 terá a licitação da empresa para executar o projeto desse novo sistema na cidade.

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    • 11 de agosto de 2013 em 14:15
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      Na verdade, Marcos Senna, não é eu não esteja “confiante” em relação ao BRT.

      Mas existem outros problemas bem sérios ANTES da implantação que não tem previsão de solução, como por exemplo, o fato de linhas alimentadoras dos Terminais de Transbordo terem KOMBIS ao invés de ônibus convencionais. A frequência de muitas linhas também tem um tempo de espera considerável.

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