Reportagem: Os Gastos com Transporte Coletivo

ATENÇÃO! Esta postagem REPRODUZ o conteúdo de uma notícia que pertence aos seus respectivos autores.

Não sei se vocês recordam deste post aqui onde eu falei sobre o ciclo vicioso que é o nosso Transporte Urbano em Salvador.

O pior pra mim, não é este ciclo. O pior é o povo aceitar isso naturalmente. Quase de forma automática. Vejo pessoas na rua comentando entre si, desde a greve em maio: “Ah, vai aumentar a tarifa de novo. Quem não sabe disso?”.  E isso sinceramente me assusta.  

Essa “reação” NATURAL ao aumento abusivo da tarifa, sem que sejam determinadas melhorias além de um simples “Vamos colocar 1000 ônibus novos na rua até 2014“, pra mim, soa absurdo. E ainda mal interpretado. Você pensa que MAIS 1000 ônibus novos serão incorporadosquando na verdade, o processo de renovação QUE JÁ COMEÇOU HÁ DOIS ANOS está sendo incluido nessa conta de “1000 novos” até 2014.

E sinceramente? GRANDE MERDA. Novos ônibus? Sério?! Novos ônibus para… O mesmo sistema de sempre? As mesmas linhas superlotadas apenas sendo renovadas?

Questões muito simples podem ser levantadas sobre este assunto. O SETPS alega que o custo deles aumentou devido ao reajuste salarial dos rodoviários. OK. A prefeitura/setin “avalia a planilha deles” e com base nisso estipula o novo preço da passagem. OK

E O NOSSO CUSTO QUEM AVALIOU? QUEM FEZ A ANÁLISE SÓCIOECONÔMICA DO PASSAGEIRO QUE GASTA MAIS QUE UM TERÇO DO SEU SALÁRIO APENAS PARA PAGAR TRANSPORTE?

Em período eleitoral, me surpreendi pelo “destaque” ofertado à essa área da Mobilidade Urbana, mas ainda identifico alguns itens alarmantes, que mencionei, neste outro post aqui. As “soluções” propostas vem em frases que citam MODAIS e não uma REDE INTEGRADA de Transporte para cidade toda.

Mas voltando ao tema, o Ibahia fez uma maratona de matérias para a “Semana do Trânsito” que serão reproduzidas aqui o quanto for relevante.

Gastos com transporte urbano comprometem 15% da renda familiar

O gasto é, em média, cinco vezes maior em transporte privado do que em transporte público
 

Moradores das nove maiores regiões metropolitanas brasileiras comprometem cerca de 15% da renda com transporte urbano. O gasto é, em média, cinco vezes maior em transporte privado do que em transporte público. A conclusão é de estudo divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 
O documento traçou o perfil do gasto de famílias residentes em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, no Recife, em Fortaleza, Salvador e em Belém. Os dados utilizados no estudo têm como base as duas últimas edições da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), de 2003 e de 2009, e refletem o custo com deslocamentos diários urbanos ou metropolitanos.

De acordo com o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Carlos Henrique de Carvalho, o gasto com transporte privado em cidades do interior do país chega a ser nove vezes maior, indicando grande dependência do transporte público entre famílias de menor renda.

Ele lembrou que, a partir de 2003, o país registrou melhorias em praticamente todas as faixas de renda. “Mas grande parte desse aumento de renda é canalizada para o transporte privado, principalmente para a compra de automóveis e motocicletas, o que aumenta a degradação das condições de trânsito nos deslocamento cotidianos”, disse.

Para Carvalho, o governo brasileiro precisa adotar políticas de mobilidade urbana baseadas no modelo europeu, que não cria restrições para a compra de veículos, mas estimula o uso racional de automóveis e motocicletas. A ideia é ampliar, por exemplo, as tarifas de cobrança em estacionamentos e pedágios urbanos e melhorar a qualidade do transporte público. “Assim, a pessoa pode deixar o carro na garagem ou em uma estação de metrô mais próxima”, explicou.

O técnico ressaltou que a atual política brasileira está voltada para o estímulo à compra e ao uso o transporte individual por meio de medidas como o barateamento da gasolina e do preço dos veículos em relação à inflação. “Ao mesmo tempo, as tarifas de ônibus aumentaram acima da inflação. Por isso, as condições de mobilidade vão piorando, porque as pessoas tendem a usar cada vez mais o transporte individual”, concluiu.

Então… Nada que a gente ainda não soubesse. Mas é bom observar esse conjunto de fatores que vão além de uma administração da Prefeitura. Claro que se o Transporte Público fosse bem gerido, os problemas locais estariam bem mais reduzidos… Mas a estimulação ao Transporte Individual é muito alta no país todo. E chega a ser um contraponto ver algumas propagandas do Governo afirmando que “está trabalhando em prol da Mobilidade Urbana”, quando dá pra perceber que a realidade é muito contrária.

Eduardo Lima

Eduardo Lima

Idealizador do Portal Transporte em Debate-Bahia, meio doido, fanático por Transporte Urbano, e estudante nas horas vagas...

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