Veículos urbanos SSA: Quantidade x Qualidade

Não.

Essa não é uma postagem com o único objetivo de criticar (leia-se falar mal) da frota urbana de Salvador. É mais uma análise do quadro atual perante o custo dele…

O que me motivou a fazer esse post, foi, em partes, a Renovação da empresa Praia Grande que opera nas linhas da Suburbana. Apesar de não ter sido postado ainda aqui já adianto: Ela trouxe 45 Marcopolo Torino 2007 sobre VW 17-230EOD de 12,6 m. Contrariando todas as outras que renovaram esse ano com alguns veículos alongados com 13,2 m. Estes veículos irão substituir uma parte dos antigos S21 VW 17-210 e os últimos veículos equipados com o chassi Volvo B7R de Salvador. Eram Neobus Mega e Marcopolo Torino 99. Aproximadamente 15 veículos.

Fotos: Ícaro Chagas (Torino Volvo) / Franz Hecher (Mega 2004) / Gênesis Freitas (Torino 2007)

Normal, aparentemente. Mas e dai?

Bom, isso me faz pensar no seguinte: Até onde renovar a frota demonstra qualidade em serviço?

Sim, apesar de não parecer, a frota ônibus urbanos de Salvador hoje em dia, pode se dizer que está nova. A idade média está por volta dos 4,5 anos, devido aos intensos processos de renovação das empresas nos últimos 4 anos. Isso é bom, correto?! Correto. Comparando com outras cidades, cujo uma das principais reclamações por parte da população é a do destrato das empresas utilizando ônibus velhos e/ou sucateados, sem dúvida é um índice positivo.

Mas indica qualidade? NÃO.

Se, você é um dono de uma empresa de ônibus com uma frota de 50 Torinos Volvo B7R, equipados com itens como bancos de estofado e encosto alto, vidros cobertos com película, elevador para Deficiente físico todos eles ano 1999 em bom estado de conservação, por exemplo, e renova esse ano colocando 50 Kombis Volkswagem ano 2011 no lugar, indicaria uma melhoria efetiva no serviço?

Mas ora essa. O cara renovou a frota, certo? Mas será que trouxe algo de boa qualidade?!

Calma. O exemplo exposto é um exagero. Proposital. Pra chamar a atenção a esse quesito: Qualidade. O Ônibus hoje em dia ainda é tratado como pau-de-arara em Salvador em termos de aplicação urbana. O propósito parece apenas substituir carros velhos por veículos novos, padronizando e atendendo as exigências de manter uma frota atual e nova.

Qualidade é bem simples de definir: Um ônibus que forneça conforto e espaço para o passageiro. Traduzindo em miúdos? Um ônibus com um banco estofado de encosto alto, já ajuda. Várias outras cidades já usam isso faz tempo. E não me venham falar de vandalismo. O RJ ai teve uma fase de vários veículos queimados por dia (o que é bem pior que o vandalismo) e todos os veículos já vem por padrão com o estofado.Mas em Salvador, atualmente, apesar da grande frota nova, não existe tal prática. Temos alguns exemplares espalhados por ai de veículos de encosto alto das empresas Barramar e União, mas não é algo tão expressívo. Algumas pelo menos usam o banco semi-estofado, como BTU, Expresso Vitória, São Cristóvão e Rio Vermelho o que já dá um diferencial. Outras nem usam.. BANCOS. O que dirá estofados.

Quanto a motorização, ai já entrando no âmbito da busologia em si.. O padrão instaurado hoje é de motorização DIANTEIRA e ponto final. Lá no início do post, quando questionei a qualidade é exatamente em relação a isso: A empresa em questão vai substituir veículos de motorização traseira (que fornecem mais conforto tanto ao motorista quanto ao passageiro, porém consome mais combustível), pelo padrão atualmente de renovações (Volks dianteiro).

E eu nem chego a reclamar tanto assim em relação aos motores traseiros. O asfalto de Salvador está bem ruim pra ser sincero. Mas pelo menos alguns itens de conforto poderiam ser adicionados pra melhorar a vida do passageiro que fica 2, 3 horas preso à um veículo.

E expandindo esse conceito: Provavelmente, a medida que as empresas vão renovando, até aqueles Ônibus que proporcionam um pouco mais de conforto, mesmo com idade avançada, vão sendo substituidos por ônibus novos sim, mas piores em conforto.

Ai eu emendo: Será que se fosse OBRIGATÓRIO o item CONFORTO, além da renovação propriamente dita, ou diria até mais, se houvesse CONCORRÊNCIA de mais empresas (Já que existem muitos monopólios por aqui), existiria um esforço maior pra manter essa qualidade em questão?!

Eduardo Lima

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Idealizador do Portal Transporte em Debate-Bahia, meio doido, fanático por Transporte Urbano, e estudante nas horas vagas...

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7 comentários em “Veículos urbanos SSA: Quantidade x Qualidade

  • 4 de outubro de 2011 em 22:15
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    Concordo contigo, porém, eu acrescento que a solução seria a prefeitura iniciar um processo de licitação, determinando regras para confioguração dos novos ônibus, como aconteceu numa cidade do interior de São Paulo.

    Nessa licitação, seria permitido a participação de empresas de todo o Brasil.

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  • 10 de outubro de 2011 em 20:21
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    Concordo Eduardo !

    A Praia Grande precisa de fato ter uma concorrência na Suburbana, pra ela passar a comprar carros maiores, é preciso acabar com o monópolio dela aki na Suburbana.
    Sobre as renovações, é lamentável, uma empresa com mais de 250 veículos e linhas convencionais de peso e demanda exorbitante, comprar 45 carros EDF 12,6 M pra linhas como: 1607/1653-1/1633/1637/1614/1611, não é possivel entender como no passado não tão distante ela trouxe Scanias F113L, Volvos B58E e B7R, e Marcopolo 17-260 EOT em peso e desde 2007 pra cá só trazendo VW 17-230 de no máximo 12,6 M, e isso é muito ruim para nós(Suburbanos) que dependemos dela todos os dias e sermos submetidos a andar nesses carros que se julgam novos, mas sem qualidade de transporte nenhum.

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  • 22 de fevereiro de 2012 em 11:03
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    esses onibus que colocaram recentemente foi uma porcaria porque eles são desconfortáveis já o volvo que estava na linha 1607 e 1633 era mais conforntavel do que esse que colocarão.

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  • 1 de novembro de 2012 em 20:27
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    Concordo com tudo isso.sou motorista de ônibus,e fico envergonhado com a falta de conforto que presencio diariamente.já nem falo sobre o motor traseiro. Más,bancos secos, isso é vergonhoso!deveria sim ser obrigatório o minimo de conforto, sem contar o estado de conservação em relação à limpesa interna (painel, painel superior e teto.

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