MB apresenta novo ônibus e caminhão para Proconve P7

REPRODUÇÃO DA REPORTAGEM DE ADAMO BAZANI PARA O BLOG PONTO DE ÔNIBUS

Foto:Adamo Bazani.

Ônibus Mercedes-Benz OF-1722 M, já com a motorização e equipamentos para seguir as normas de redução de emissão de poluentes previstas pelo Proconve P 7, do Conama, para vigorarem a partir de 1º de janeiro de 2012. A Mercedes-Benz apresenta a tecnologia BlueTec5 e afirma que foi a primeira fabricante a testar ônibus e caminhões nesta configuração, já apta para estas novas normas. Redução de materiais particulados pode chegar a 80% e de Óxido de Carbono, o grande vilão do diesel, a 60%.

Mercedes-Benz apresenta ônibus e caminhão com motor que já atende às normas ambientais de redução de poluentes

Foram mais de 3 anos de desenvolvimento e testes que contaram com o trabalho de 400 engenheiros e técnicos. Além de obedecer às normas previstas em lei, a Mercedes-Benz diz que benefícios da tecnologia BlueTec 5 permitem melhor desempenho e mais economia.

As fabricantes brasileiras de ônibus e caminhões se preparam para que seus produtos estejam adequados à nova legislação ambiental, que prevê a redução de emissão de poluentes dos motores diesel, a partir de primeiro de janeiro de 2012, quando todos estes veículos devem atender às normas do Proconve P 7 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), que está na fase 7. O Programa é regido pelo Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente.

O Proconve P 7 tem como base e equivale ao Euro V, um programa internacional que impõe limites para emissão de agentes nocivos ao meio ambiente pelos ônibus e caminhões. O objetivo é garantir que os veículos a diesel sejam ambientalmente mais amigáveis, já com vistas à necessidade mais que urgente de melhoria na qualidade de ar.

Ações para a redução nos níveis de poluição resultam em melhor condição de vida para as pessoas e animais e também em economia.

Um estudo encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela iniciativa “Princípios para o Investimento Responsável”, também da Organização das Nações Unidas, revela que o custo anual em todo o planeta por causa da poluição é de US$ 2,2 trilhões. Esse valor é superior ao PIB – Produto Interno Bruto – de vários países.

Estes gastos englobam desde o menor rendimento das atividades econômicas por processos arcaicos e poluentes até custos com saúde pública e privada, de acordo com este estudo, coordenado pela Consultoria Trucost, com sede na Inglaterra.

Quando os dados se referem à quantidade de mortes prematuras por doenças causadas ou agravadas pela poluição atmosférica, a população mundial tem outro susto. Por ano, de acordo com a OMS – Organização Mundial de Saúde, 2 milhões de seres humanos perdem a vida por causa da qualidade ruim do ar.

Em vigor desde 2009 na Europa, as exigências do Euro V no Brasil chegam até tardiamente, de acordo com especialistas em meio ambiente, já ouvidos anteriormente por nossa reportagem. Mas usando o jargão “antes tarde do que nunca”, pelo menos a partir de 2012, os ônibus e caminhões diesel devem respeitar mais o meio ambiente. Não se trata aqui de discutir a existência de outras tecnologias mais limpas que o diesel, como o biocombustível, o etanol, o hidrogênio (ainda muito prematuro e não comercialmente viável, por enquanto) e a energia elétrica, que movimenta os trólebus, mais que aprovados para a realidade brasileira.

É necessário, no entanto, pensar em soluções coerentes com os serviços de transportes públicos brasileiros (que são liderados pelos ônibus) e de transportes de cargas (cuja maioria é feita por caminhões). Levantar a bandeira “Fora Veículos Diesel”, é no mínimo não ter noção da realidade econômica, social e geográfica do País, onde algumas regiões não admitem modais ferroviários, e não perceber a urgência por um ar de mais qualidade, como revelaram alguns números citados nesta reportagem. Exemplo é a própria Europa. Lá a malha ferroviária é extensa, muito maior em países de dimensões bem inferiores que o Brasil. E mesmo assim, há a preocupação com a qualidade não só do diesel, mas dos motores a diesel.

BlueTec5 – A resposta da Mercedes-Benz para o Proconve 7 – Euro V

Nesta quarta-feira, 06 de abril de 2011, a empresa apresentou em sua sede, na cidade de São Bernardo do Campo – SP, dois veículos que já atendem às novas exigências, que entram em vigor no primeiro dia de janeiro de 2012 para veículos produzidos e comercializados a partir desta data.

Trata-se de um ônibus para aplicações urbanas, modelo OF-1722 M, e de um caminhão da categoria pesada, o Axor 2644 6X4, que fazem parte da tecnologia denominada BlueTec 5. A Mercedes-Benz afirma que foi a primeira fabricante de ônibus e caminhões do País a colocar em testes veículos que seguem o P 7 e o Euro V.

Há 3 anos, segundo a empresa, cerca de 400 engenheiros e técnicos se dedicaram no desenvolvimento do produto. Ainda de acordo com a Mercedes-Benz, alguns testes foram realizados em condições bem severas de operação, como em altitudes de 4 800 metros acima do nível do mar, o que exige mais força do veículo, realizados no Chile.

Apesar de seguir as normas baseadas no Euro V, utilizado na Europa e em outras regiões, Gilberto Leal, gerente de Desenvolvimento de Motores da Mercedes-Benz do Brasil, afirmou que a preocupação foi adaptar o produto para a realidade brasileira e latino-americana. “Não adianta só seguir o modelo europeu e pronto. Vimos nossas particularidades operacionais e de mercado e procuramos desenvolver um veículo que atenda essas características. Nosso viário é diferente, nosso frotista tem um perfil e coube a nós deixar um ônibus e um caminhão interessante e eficiente.” – disse Gilberto Leal.

Na explicação que fez sobre a tecnologia BlueTec, que obedece as normas do Proconve P 7 e do Euro V, Gilberto Leal esclareceu que os grandes vilões dos veículos a diesel são o Óxido de Nitrogênio e os Materiais Particulados.
O Óxido de Nitrogênio é formado na queima do combustível e os materiais particulados são emitidos na queima incompleta do diesel. A emissão dos materiais particulados é agravada pela própria composição do diesel, como o enxofre e aromáticos. São considerados materiais contaminantes. A solução prevista para a redução de poluentes pelo Proconve P 7 é otimizar a queima do combustível, melhorar sua eficiência e soltar um subproduto mais limpo.

Na tecnologia Blue Tec, da Mercedes-Benz, segundo explicou Gilberto Leal, não são usados filtros específicos nos ônibus e caminhões, a não ser os comuns. Todo o processo de tratamento dos gases é realizado na operação do veículo. Dentro do motor ocorre o procedimento para a redução de materiais particulados. O Óxido de Nitrogênio tem seu nível reduzido no sistema de escape do ônibus ou caminhão.

Para isso, é utilizado um aditivo, denominado ARLA 32, que fica num tanque específico, cujo tamanho varia de acordo com o porte do veículo. O ARLA 32 é o Agente Redutor Líquido de Óxido de Nitrogênio Automotivo na proporção de 32% de uréia específica para esta aplicação e o restante basicamente de água desmineralizada. O contato do ARLA com os gases no escape, via catalisador, provoca uma reação que permite a conversão do Óxido de Nitrogênio em Nitrogênio Puro e em vapor d’água.

Em números, a tecnologia, obedecendo as exigências do Proconve P 7 , previstas nas normas Euro V, com o uso da ARLA e a otimização da queima do combustível no motor apresenta os seguintes resultados, em comparação à atuais normais brasileiras, o Proconve P 5, que seguem o Euro III.

EMISSÃO DE MONÓXIDO DE CARBONO: Redução de 29%
EMISSÃO DE HIDROCARBONETOS TOTAIS: Redução de 23%
EMISSÃO DE ÓXIDO DE NITROGÊNIO: Redução de 60%
EMISSÃO DE MATERIAL PARTICULADO: Redução de 80%

Para passar uma idéia mais concreta em números operacionais, Gilberto Leal mostrou um comparativo do que é lançado em gramas por uma hora de operação. Ele tomou como base a medida de grama por Quilowatt/hora. Para o leitor ter uma noção melhor, cada Quilowatt representa a força de 1,36 cavalo de potência. Enquanto seguindo as normas do Proconve P 5, um ônibus pode emitir 5 gramas de óxido de Nitrogênio por hora, dentro dos padrões P 7, essa emissão cai para 2 gramas por hora. Em relação aos materiais particulados, o 0,10 grama por hora de operação cai para 0,02 grama a cada hora percorrida.

A qualidade do Diesel preocupa os especialistas

O gerente de Desenvolvimento de Motores da Mercedes-Benz, Gilberto Leal, afirmou que este sistema de motorização só é compatível com diesel menos poluente: o S 50 (50 partículas por milhão), em 2012, e o S 10 (10 partículas por milhão de enxofre). Caso contrário todos os benefícios deste tipo de tecnologia podem ser inutilizados.

A Mercedes-Benz se diz confiante na oferta deste tipo de diesel que supra toda a demanda gerada pela obrigatoriedade da fabricação e comercialização de ônibus e caminhões já dentro das normas do P 7 ou Euro V.
Mas especialistas temem que a Petrobrás não consiga disponibilizar esta escala maior de diesel limpo. No início da obrigatoriedade do Diesel S 50 em frotas de ônibus locais, algumas empresas encontraram dificuldade para achar o produto na quantidade que precisavam. Há ainda milhares de postos de combustíveis que não demonstraram interesse em vender este tipo de diesel. O poder público pouco fala sobre o assunto.

Em nota, a Agência Nacional do Petróleo afirma que não haverá falta do combustível. Outra questão é a oferta do aditivo ARLA 32. Há poucos fabricantes do Agente Redutor Líquido de Óxido de Nitrogênio Automotivo no País.
“Sobre o ARLA ainda tem muita água para passar por baixo desta ponte” – disse Gilberto Leal em resposta a jornalistas no Espaço Mercedes-Benz. “A parte do desenvolvimento da tecnologia está pronta”.

A Mercedes-Benz do Brasil não divulgou o quanto investiu para desenvolver os motores e a tecnologia BlueTec, mas afirmou que o projeto e a concretização do produto estão inseridos no pacote de investimentos gerais de R$ 1,5 bilhão para o triênio.

O custo dos novos veículos Euro V e a corrida dos empresários para aquisições em 2011

Os ônibus e caminhões que obedecem às normas do Euro V e do Proconve P 7, por terem mais tecnologia embarcada, por exemplo, dois CPUs informatizados fazem toda a gestão do funcionamento do motor e do tratamento dos gases, tendem a ser mais caros que os veículos que seguem as normas atuais, que permitem uma emissão de poluentes maior.

A Mercedes-Benz não descarta a possibilidade de os empresários, tanto donos de ônibus e caminhões, anteciparem a compra de veículos e a renovação das frotas para este ano, com o objetivo de comprarem veículos mais baratos.
Além disso, mesmo sendo ambientalmente amigável, o uso do ARLA não deixa de ser mais um produto que o dono do veículo terá de comprar. Entre 4 ou 5 abastecimentos com o diesel, será necessário um abastecimento no tanque reservatório de ARLA. Na Europa, o preço do ARLA varia entre 32% a 52% do preço do diesel.

Mas Gilberto Leal afirma que as vantagens não só ambientais, mas econômicas, tornam interessante a aquisição dos veículos dentro dos limites de emissões de poluentes previstos pelo Euro V e Proconve P 7
“Aí que nossa linha BlueTec vai além do que é exigido pelos parâmetros legais. Nosso sistema proporciona uma racionalização na queima de combustível, um melhor desempenho e menos gastos com combustível e manutenção” – argumenta Gilberto.

Ele usou o exemplo baseado nos parâmetros de operação de uma empresa de ônibus em São Paulo, cuja velocidade média é de 15,9 km/h. Levando em consideração a melhor queima de combustível, o melhor rendimento de todo o sistema, com cada ônibus rodando anualmente 72 mil e 500 quilômetros, a economia só com o diesel para uma frota de 100 ônibus chega a R$ 126 mil 750. “Por ano, só economizando em diesel, dá quase para comprar um chassi” – brinca.

Gilberto falou também que o encarroçamento deste tipo de ônibus e caminhão é fácil, mas pelas dimensões e distâncias de componentes internos, algumas pequenas alterações já foram desenvolvidas em parceria com as principais fábricas de carroceria do País. “Precisamos mostrar para a população que, só por ser capaz de retirar uma grande quantidade de carros da rua, o ônibus já é uma solução ambiental no presente. Agora com tecnologias como a BlueTec, obedecendo os parâmetros legais, o ônibus é sim o veículo ambientalmente amigável do futuro. E o futuro já começou” – finaliza.

Fonte:Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. http://blogpontodeonibus.wordpress.com/

Claiton

Claiton

Técnico em informática e admirador de ônibus. Pesquisador de chassis, motores, carrocerias e veículos comercias de uma maneira geral.

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